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Crise no Golfo: Sauditas usam bombas brasileiras para matar civis no Iêmen, afirma HRW

FOTO: © REUTERS/ Stringer

Crise no Golfo: Sauditas usam bombas brasileiras para matar civis no Iêmen, afirma HRW

Da Sputnik News Brasil

 

A crise que se instalou no Golfo Pérsico entre Arábia Saudita e Irã, com implicações ligadas ao Iêmen, possui a assinatura brasileira – pelo menos quando o tema envolve as bombas lançadas pelas Forças Armadas sauditas contra o território iemenita.

Reportagem publicada nesta quinta-feira pelo site Nexo afirma que munições cluster – proibidas por 119 dos 193 países do mundo – que foram fabricadas no Brasil pela Avibrás Indústria Aeroespacial S/A mataram 21 civis, em um total de 17 ataques conduzidos por uma coalizão liderada pela Arábia Saudita no Iêmen nos últimos cinco anos.

O dado foi repassado à publicação pela pesquisadora da ONG Human Rights Watch (HRW) para Iêmen e Kuwait, Kristine Beckerle. "Em vez de se unir ao grupo de países que defende o banimento das munições cluster, o Brasil se recusou a assinar o tratado que proíbe a produção e o uso desse tipo de munição", disse.

Após serem lançadas por foguetes, as chamadas munições cluster se abrem e lançam centenas de submunições, atingindo de maneira indiscriminada alvos militares e civis por longas faixas de terra. As bombas não detonadas representam um risco, podendo ser detonadas ao menor toque desavisado.

Ao Nexo, Kristine Beckerle destacou que os sauditas vêm usando tais munições desde 2011, em seus bombardeios contra rebeldes Houthis, estes ligados ao ex-presidente Ali Abdullah Saleh e que são contrários ao atual mandatário do Iêmen, Abdrabbuh Mansour Hadi.

"Nossos especialistas em armas identificaram resíduos dos foguetes terra-terra Astros 2, fabricados no Brasil […].A coalizão liderada pela Arábia Saudita já havia usado munições cluster produzidas pelo Brasil antes. Em 2015, a Anistia Internacional havia encontrado resíduos de munições cluster disparadas por foguetes do sistema Astros em outro ataque no Iêmen, que deixou pelo menos quatro pessoas feridas", afirmou a pesquisadora.

Ela ainda criticou o fato do governo brasileiro ter preferido se abster em 5 de dezembro do ano passado, quando uma farta maioria de países endossou a decisão de banir munições cluster de seus arsenais. No dia seguinte, duas pessoas morreram no Iêmen após serem atingidas pelas bombas fabricadas no Brasil.

"Em vez de continuar vivendo o risco de que suas armas sejam usadas em ataques ilegais no Iêmen e em outros países, o Brasil deveria assinar a convenção sobre munições cluster e cessar a produção e a transferência desses artefatos imediatamente", pediu a pesquisadora.

FONTE: SPUTNIK NEWS BRASIL
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